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Dr. André LacerdaCirurgia bariátrica Agendar consulta

Indicação · 3 min de leitura

Quem tem indicação para a cirurgia bariátrica hoje

O que mudou com a Resolução CFM 2.429/2025, o papel do IMC e por que a indicação é sempre individual.

Quem tem indicação para a cirurgia bariátrica hoje

Uma das perguntas mais frequentes no consultório é: "eu tenho indicação para a cirurgia?". A resposta envolve critérios definidos pelo Conselho Federal de Medicina, mas também a história de cada pessoa. Neste texto, explico como essa avaliação é feita hoje.

A obesidade é uma doença

Antes de falar de critérios, vale reforçar: a obesidade é uma doença crônica, com causas genéticas, hormonais, emocionais, sociais e ambientais. Não é falta de força de vontade. Ela aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, doenças do fígado, problemas nas articulações e alguns tipos de câncer.

Como toda doença crônica, ela pede tratamento contínuo. A cirurgia é uma das ferramentas desse tratamento, não a única.

O que diz a regra atual

Em 2025, o CFM publicou a Resolução 2.429, que atualizou os critérios para a cirurgia bariátrica e metabólica. De forma resumida, a cirurgia pode ser considerada para:

  • pessoas com IMC de 40 ou mais, independentemente de doenças associadas;
  • pessoas com IMC entre 35 e 39,9 e pelo menos uma doença agravada pela obesidade e que melhore com a perda de peso;
  • pessoas com IMC entre 30 e 34,9 em situações específicas, como diabetes tipo 2, apneia grave, doença hepática com fibrose e outras condições listadas na resolução.

A resolução também exige que o tratamento clínico tenha sido tentado antes e prevê uma equipe mínima multidisciplinar para a avaliação e o acompanhamento.

O IMC não é tudo

O Índice de Massa Corporal é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Ele é útil como ponto de partida, mas não conta a história inteira. Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter situações de saúde muito diferentes.

Por isso, na consulta, avaliamos também:

  • as doenças associadas e o quanto elas estão controladas;
  • os tratamentos já realizados e a resposta a eles;
  • os medicamentos em uso;
  • a saúde emocional e a relação com a comida;
  • o apoio familiar e as condições para seguir o acompanhamento depois da cirurgia.

E a idade?

A resolução não define idade máxima: o que conta é a avaliação de riscos e benefícios. Para adolescentes a partir de 16 anos, valem os mesmos critérios dos adultos, com atenção à maturidade e ao apoio da família. Entre 14 e 16 anos, a cirurgia só é considerada em casos excepcionais.

Quando a cirurgia não é o caminho indicado

Algumas situações pedem tratamento antes de qualquer cirurgia, como transtornos alimentares não tratados, uso abusivo de álcool ou outras substâncias e doenças que aumentam muito o risco anestésico. Em outros casos, tratamentos clínicos ou endoscópicos podem ser mais adequados.

Dizer "agora não" também faz parte de uma boa avaliação.

Como é a avaliação na prática

A primeira consulta é uma conversa longa. Depois dela, se a cirurgia for uma opção, você passa pelas avaliações da equipe e faz os exames necessários. Só então, com todas as informações, a decisão é tomada em conjunto, inclusive sobre a técnica.

Esse processo leva algum tempo, e esse tempo é importante: ele prepara o corpo e a cabeça para as mudanças que vêm depois.

Sobre os convênios

Os planos de saúde seguem regras próprias de cobertura, definidas pela ANS, que podem ser diferentes das do CFM. A secretária orienta sobre os documentos e o processo de autorização de cada operadora.

Resumo

A indicação da cirurgia bariátrica combina critérios objetivos, como o IMC e as doenças associadas, com uma avaliação cuidadosa da sua história. Se você tem dúvidas sobre o seu caso, o primeiro passo é uma consulta, sem compromisso de decisão.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta nem a avaliação individual.

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